Ducto arterioso persistente

O ducto arterioso persistente é a anomalia vascular congénita mais comum em cães.
É aproximadamente três vezes mais comum em fêmeas do que em machos, e raças como Poodle miniatura, Poodle toy, Spitz, Bichon Maltês, Chihuahua, Collie, Bichon frise, Labrador, Golden Retriever e Pastor Alemão têm uma predisposição aumentada.
O ducto arterioso, em geral presente apenas na fase fetal, é uma estrutura derivada do sexto arco aórtico, localizada entre a aorta e a artéria pulmonar principal, e proporciona um desvio do sangue da artéria pulmonar do feto para a circulação sistémica.
Após o parto, com o aumento da tensão de oxigénio, este canal é ocluído  primeiro funcionalmente, dando-se pouco tempo depois o encerramento anatómico definitivo. Quando isto não ocorre, uma percentagem do sangue que passa na aorta é desviado para a artéria pulmonar, levando a uma sobrecarga de volume na circulação pulmonar, átrio e ventrículo esquerdo, que acabará por culminar em lesões no miocárdio (musculo cardíaco) e consequentemente em insuficiência cardíaca. Por vezes, a pressão na artéria pulmonar ultrapassa a presente na artéria aorta, dando-se a inversão do sentido do ducto. Neste caso, o sangue arterial (com oxigénio), vindo dos pulmões, é misturado com o sangue não oxigenado, da artéria pulmonar, o que leva a sintomas como a fraqueza generalizada, e cianose (cor acinzentada) das membranas mucosas.

Os principais achados ao exame clínico desta patologia são geralmente, sopro cardíaco, pulso hipercinético, e mucosas róseas.

O tratamento recomendado consiste na ligadura cirúrgica do canal. Deve ser realizada tão cedo quanto possível, e apenas quando o sentido do ducto é da esquerda para a direita. Após a cirurgia a esperança de vida é a normal.

Quando não se opta pela cirurgia, cerca de 50% dos cães morrem antes de chegar ao primeiro ano.

A Luna era uma cadelinha de porte pequeno e raça indeterminada com 2 meses

de idade. Estava como os proprietários há uma semana quando estes a decidiram levar ao veterinário para ser vacinada. Sempre lhes tinha parecido saudável, apesar de não ser muito activa, e de aspecto frágil. Durante o exame clínico foi detectado um sopro cardíaco e recomendado um exame de ecocárdiografia, que nestas situações é o meio auxiliar de diagnóstico mais adequado. Os proprietários que apesar do curto tempo de convivência com a Luna, já a tinham como um membro da família, concordaram com o exame, e posterior cirurgia. Quatro dias depois do diagnóstico definitivo, foi submetida ao procedimento de ligação do ducto arterioso. Passadas três semanas da cirurgia, a Luna pôde finalmente ser vacinada, aumentava de peso de dia para dia, e tinha agora a energia comum à idade e a perspectiva de uma longa vida pela frente…

António Miguel Tebar y Kittler Pires Dias

Data: Setembro 28th, 2011 | Categorias: Cães | Por: | Comentários: 0